julho 06, 2005

Extinção do Ballet Gulbenkian #2

Foi em Águeda, há 15 anos. Não sabia que existia coisa assim. Algo que não me era familiar, incompreensível para um adolescente. Os movimentos síncronos e assíncronos, a diversidade das texturas musicais, os figurinos, as tensões e as distensões. Era tudo muito diferente daquilo que estava habituado a ver e ouvir e, por isso, senti-me atraído por tão poderoso espectáculo.

Recordo-me, à saída, de reparar no impacto que a novidade teve nas pessoas. É assim a 3ª lei de Newton, reagimos perante aquilo que nos perturba, que mostra perspectivas diferentes. Ou simplesmente, porque não estamos habituados, estranhamos.

Passados alguns anos, pela mão do meu irmão Pedro, revejo o Ballet Gulbenkian no grande auditório da fundação. Nesse dia, percebi que não poderia perder mais oportunidades para usufruir de momentos de tão rara beleza. Emocionei-me. Por isso, passei a integrar o “público anónimo” do Ballet Gulbenkian.

Depois de alguns espectáculos, surgem os elementos comuns aos espectadores mais assíduos. Reconhecemos a silhueta dos bailarinos, percebemos como interpretam esta personagem ou aquela função. Escolhemos os nossos e as nossas preferidas e seguimo-los com mais atenção. Percebemos quais as peças que correm melhor e as que funcionam menos bem. Sentimos o Ballet Gulbenkian como nosso.
Acabar com o Ballet Gulbenkian é acabar com tudo isto, é acabar também com o seu público.

Resta-nos a indignação. Digo e direi não ao fim do Ballet Gulbenkian.

Publicado por dancas às 06:47 PM

Extinção do Ballet Gulbenkian #1


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Um grande abraço de solidariedade ao Rodrigo, à Mayra, à Laura, ao Rui, ao Jordí, ao Alan, ao Carlos, à Cláudia, à São, à Ana Cláudia, à Sofia, à Mónica, à Iolanda, à Wubkye, ao Nélson, ao Bernardo, ao Hillel, à Ann, ao Pedro, à Bárbara, ao Rui, ao Germaine, à Sandra, ao Romeu, à Ana Sendas, à Teresa e à Sylvia.
Um abraço especial ao Paulo Ribeiro

É absurdo como acaba assim a instituição portuguesa de maior prestígio artístico nas artes do palco.

É uma perda imperdoável para a cultura portuguesa.

Publicado por dancas às 09:40 AM